Troca de farpas entre ministros do Governo Bolsonaro

Troca de farpas entre ministros do Governo Bolsonaro
Foto: Montagem/ Paraibaonline

NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, usou seu discurso após o encerramento do leilão de concessões de saneamento do Rio de Janeiro para alfinetar o ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou esta semana que “todo mundo quer viver 100, 120, 130 anos” sem que haja capacidade no serviço público para atender a todos.

Dirigindo-se ao governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC), Marinho afirmou que a universalização dos serviços de água e esgoto no estado vão beneficiar os “mais pobres, as pessoas mais humildes, as pessoas mais desassistidas”.

“Que vão poder ter melhor qualidade de vida. Que vão viver mais e melhor. Quem sabe possam viver 100, 110, 120 anos. Tomara que isso aconteça em breve no nosso país. Com qualidade, com vida plena, com acesso a educação com acesso a saúde, com acesso à cidadania”, afirmou.

Guedes havia acabado de discursar e estava sentado na plateia ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que levou uma comitiva de ministros aos leilão, considerado pelo governo o maior projeto de infraestrutura do país.

Para encerrar o evento, os dois subiram ao palco com o presidente e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para a cerimônia final de batida do martelo, tradição em leilões.

Na última terça (27), ao falar sobre o futuro do setor de saúde e o aumento da expectativa de vida da população em reunião do Conselho de Saúde, Guedes declarou ainda que a rede pública não vai conseguir acompanhar a demanda.

“Todo mundo quer viver 100, 120, 130 anos. Todo mundo vai procurar serviço público [de saúde] e não há capacidade instalada no setor público pra isso. Vai ser impossível”, afirmou o ministro.

Guedes e Marinho vêm tendo embates públicos há tempos, tendo como último round as discussões sobre o Orçamento da União. No início do mês, o ministro da Economia referiu-se ao colega como “ministro fura-teto”, termo que já havia usado em 2020.

“Aí tem um ministro também, tem sempre um ministro mais ousado, tem ministro fura-teto, tem de tudo aqui. Tem ministro que não desiste, volta toda hora e bate no mesmo lugar, bota em risco a viagem do grupo todo”, comentou, enquanto falava sobre orçamento no dia 9 de abril.

O termo escolhido pelo ministro da Economia já havia sido usado abertamente contra Marinho. Em outubro de 2020, ele entrou em uma briga pública com o colega.

Após o titular do Desenvolvimento Regional criticar Guedes em evento, o chefe da Economia chamou o colega de “despreparado, desleal e fura-teto”.

FolhaPress